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Primeiros passos

Mercado Livre Global Selling: vender na América Latina sem empresa local

1º de agosto de 2026 · MercadoRu
Kirill Odintsov
Kirill Odintsov
Fundador da MercadoRu · Buenos Aires

Vendo no Mercado Livre desde a Argentina, trago mercadoria da China e tenho depósito próprio em Buenos Aires. Tudo o que está escrito aqui foi testado nos meus próprios embarques, não copiado de guias alheios.

Mercado Livre Global Selling: vender na América Latina sem empresa local

O caminho padrão para entrar no Mercado Livre parece pesado. Abrir empresa na Argentina ou no Brasil, obter o número fiscal local, achar um representante residente, desembaraçar a mercadoria, se registrar e só então vender. Seis meses e alguns milhares de dólares até a primeira venda.

Existe um segundo caminho que os vendedores de língua russa quase não conhecem. O Mercado Livre tem um programa para estrangeiros vendedores, o Global Selling. A sua empresa está no exterior, a mercadoria está no exterior, e os anúncios ficam em vários marketplaces latino-americanos ao mesmo tempo. O comprador no México entra no site de sempre e acha o seu produto nos resultados comuns.

Já de saída, algo importante sobre o que os guias se calam. O comprador que a mercadoria é estrangeira: esses anúncios levam a marca GLOBAL. Ele entende que a encomenda demora bem mais que o normal e que, no recebimento, provavelmente vai pagar imposto. Isso bate na conversão na hora, e precisa entrar na conta desde o início.

Vamos aos fatos. De onde dá para entrar, o que é preciso, quanto o marketplace leva, como funciona a logística e quando o esquema não funciona. Todos os números vêm das páginas oficiais do Mercado Livre e foram conferidos em agosto de 2026.

Em que o Global Selling difere da entrada comum

Um vendedor comum na Argentina é uma empresa local com CUIT, conta bancária local, desembaraço local e obrigações locais. Você joga pelas regras do país.

O Global Selling é um painel à parte. Uma conta dá vitrine em vários países ao mesmo tempo, o dinheiro chega em dólares e, conforme a modalidade, o marketplace pode assumir aduana e frete. Não é preciso empresa na América Latina.

Agora a escala, que é o motivo de tudo isso. O Mercado Livre opera em 18 países da região. Ele tem 65 milhões de compradores e 12 milhões de vendedores, faturamento de 25,5 bilhões de dólares, 538 acessos e 29 pedidos por segundo. É a Amazon e a Shopee de toda a América Latina em um só, e não há alternativa relevante na região.

De onde dá para entrar. Três jurisdições

A empresa precisa estar registrada num de três países.

EUA · China · Hong Kong

E aqui está o principal, que quase todo mundo entende errado. A sua nacionalidade e o seu país de residência não importam. Não é preciso ser americano, nem residente nos EUA, nem morar lá. O que importa é só o país de registro da empresa. Passaporte russo ou cazaque do dono não atrapalha o programa.

Por que isso importa. Abrir uma LLC nos EUA à distância leva algumas semanas e tem orçamento previsível. Abrir empresa no Brasil com representante residente e CNPJ leva de 6 a 10 semanas, outra ordem de despesa e manutenção local constante. O Global Selling permite testar a demanda antes de você entrar na segunda história.

O que é preciso para se cadastrar

O conjunto de documentos da rota americana é este.

1. Uma empresa, LLC ou Corporation.
2. EIN, o número fiscal federal da empresa.
3. Um endereço nos EUA.
4. O passaporte do dono.
5. Formulário W-8, a comprovação para o fisco de que o beneficiário não é residente fiscal nos EUA.

Mais uma conta bancária ou uma conta Payoneer para receber os repasses. Sem diretor local, sem procuração consular, sem viagens. Todo o processo é à distância.

Para onde dá para vender e por que as listas de países diferem

O painel geral do Global Selling abre cinco marketplaces.

🇲🇽 México · 🇧🇷 Brasil · 🇨🇱 Chile · 🇨🇴 Colômbia · 🇦🇷 Argentina

À parte, o Mercado Livre tem o canal chinês do mesmo programa, com portal, suporte e materiais próprios para vendedores da China. Ali constam seis países. A esses cinco soma-se o 🇺🇾 Uruguai, mas só com a modalidade de entrega própria.

Então, se em um lugar você viu seis países e em outro cinco, os dois números estão certos. São apenas entradas diferentes no programa.

Logística. Quatro modalidades, e três delas se chamam Full

Primeiro, sobre a confusão nos nomes, é por causa dela que metade das contas dá errado. O Mercado Livre chama de Full três depósitos diferentes em três pontos do mundo. Um depósito dentro do país do comprador, um depósito no Texas e um depósito na China. As condições, os países disponíveis e as exigências de empresa são diferentes em cada um. Vamos ver cada um abaixo.

1. Mercado Envios Full, depósito dentro do país do comprador. Você embarca o lote com antecedência, o marketplace guarda a mercadoria, embala nas próprias caixas, entrega em um ou dois dias e responde aos compradores depois da venda. O anúncio ganha um selo e sobe bastante nos resultados. Para vendedores transfronteiriços está disponível no México e no Chile. O país de registro da empresa não pesa; empresas americanas, chinesas e de Hong Kong podem igualmente levar mercadoria para esse depósito.

2. Entrega própria, Direct-to-Consumer. A mercadoria está com você. Chegou o pedido, você imprime a etiqueta pronta do painel e, em 3 dias úteis você entrega a uma transportadora parceira do marketplace. Daí ela leva até o comprador. Funciona em todos os países do programa, a entrada é a mais simples, mas a entrega demora.

3. Depósito no Texas, US FC. Depósito oficial do Mercado Livre nos EUA, na cidade de China Grove. Você embarca a mercadoria em lote e, feito o pedido, o marketplace transporta, desembaraça e entrega. Aberto a empresas dos EUA, China continental e Hong Kong. A última milha leva de 3 a 5 dias, a capacidade inicial é de 1.000 unidades e a comissão na maioria das categorias é menor que no Full do México. Os limites: peso até 25,3 kg, lado até 120 cm, soma dos lados até 260 cm. O endereço de devolução é do próprio vendedor, um depósito nos EUA ou no México. No anúncio aparece um selo próprio, USA FULL.

4. CHINA FULL, também chamado de semigerenciado (半托管). O Mercado Livre tem um depósito próprio na China, em Dongguan, província de Guangdong. Você leva a mercadoria dentro da China, e o marketplace assume todo o resto: armazenagem, separação, embalagem, transporte internacional, desembaraço e entrega na porta. Funciona para os cinco mercados, inclusive o Brasil, onde não existe o Full comum para estrangeiros.

A principal diferença do CHINA FULL. O esquema está disponível apenas a empresas com licença da China continental ou de Hong Kong, uma empresa americana não entra aqui. O acesso é por convite. Em troca você recebe armazenagem zero com giro de estoque em 30 dias, desconto na comissão até 50%, o selo verde FULL com prioridade na busca e repasses uma vez por semana em vez de duas, com saldo a partir de 500 dólares. O preço você define no formato Net Proceeds: informa quanto quer receber, e o sistema calcula sozinho o preço de vitrine, o que elimina o risco cambial.

As exigências para o vendedor no CHINA FULL são duras. Experiência em comércio transfronteiriço, mercadoria mais leve que 1.500 g e mais barato que 40 dólares, um sortimento pronto de 100 itens em moda e 300 nas demais categorias, um funcionário na China para lidar com o depósito e inglês na equipe. Autônomos não são aceitos, não há depósito, e a análise leva de 7 a 10 dias úteis. Sobre o piso de faturamento os documentos do marketplace divergem. Na versão em inglês exigem mais de 3 milhões de dólares em vendas por ano; no FAQ chinês recomendam a partir de 300 mil por loja. Confirme com o seu gerente.

PaísFull no paísEntrega própriaDepósito no TexasCHINA FULL
🇲🇽 Méxicosimsimsimsim
🇨🇱 Chilesimsimdeclaradosim
🇦🇷 Argentinasimdeclaradosim
🇧🇷 Brasilsimsim
🇨🇴 Colômbiasimsim
🇺🇾 Uruguaisim

A palavra «declarado» no caso do Texas quer dizer o seguinte. No esquema geral do portal chinês o depósito aparece para Chile e Argentina, mas a descrição detalhada do projeto no marketplace ainda é toda sobre o México, a rota EUA–México. Antes de fazer contas, confirme com o gerente se a rota funciona para o seu país.

A principal conclusão da tabela. Entrar com empresa americana significa que o Brasil, para você, é só entrega própria, ou seja, devagar. Existe um caminho rápido para o mercado brasileiro, mas ele passa por empresa chinesa ou de Hong Kong. Essa é a consequência menos óbvia de toda a construção, e no painel em inglês não há uma linha sobre isso.

O imposto no comprador. Os percentuais concretos

Na rota pelo Texas o Mercado Livre publica as alíquotas direto. A taxa de importação é paga pelo comprador, está incluída no preço de vitrine e não aparece como linha separada.

Preço do produtoTaxa de importação para o comprador
até US$ 50não
de US$ 50 a US$ 11717% do preço
acima de US$ 11719% do preço

Tarifas e impostos são calculados sobre o preço de venda, e o Mercado Livre os processa em seu nome. O sentido prático é simples. O limite de 50 dólares é um precipício. Um produto de 49 dólares o comprador vê sem acréscimo; um de 55 já fica 17% mais caro para ele. Se o seu preço gira em torno dos cinquenta, fique abaixo do limite.

Um parêntese sobre proibições. Cada país de destino tem a sua lista de mercadorias proibidas de importação, e as transportadoras parceiras têm os seus próprios limites de dimensão e peso. Confira isso antes de comprar o lote.

Comissões por país

Publicar produtos é gratuito e sem prazo; a comissão só é cobrada depois da venda e depende do país e da categoria. O catálogo pode ser subido por arquivo Excel ou pela API.

São dois os tipos de anúncio, Clásica e Premium. O Premium é mais caro, mas inclui parcelamento sem juros para o comprador. Na América Latina isso pesa: parte das pessoas simplesmente não compra sem cuotas.

PaísComissão ClásicaComissão PremiumPreço mín., entrega própriaPreço mín., Full
🇧🇷 Brasil12,5%16,5%3 $
🇲🇽 Méxicoconforme a categoriaconforme a categoria3 $4 $
🇨🇱 Chileconforme a categoriaconforme a categoria3 $4 $
🇨🇴 Colômbiaconforme a categoriaconforme a categoria3 $
🇦🇷 Argentinanão anunciadanão anunciada13 $

Para o Brasil o Mercado Livre publica o percentual direto. Para México, Chile e Colômbia diz «depende da categoria», e o número exato aparece na hora de publicar o produto. Para a Argentina as comissões, na data deste texto, aparecem como TBD, ou seja, não foram anunciadas. Não vamos colocar aqui um número que não está no site do marketplace. Por enquanto não há em que basear a economia da Argentina neste programa.

A taxa escondida que mata o produto barato

Além do percentual da venda há uma taxa fixa por unidade, cobrada em itens baratos.

PaísTaxa por unidadeAplica-se a produtos abaixo de
🇲🇽 México33 MXN299 MXN
🇧🇷 Brasil9,6 BRL79 BRL
🇨🇱 Chile1.650 CLP15.650 CLP
🇨🇴 Colômbia7.200 COP60.000 COP
🇦🇷 Argentinanão anunciado

A conclusão em uma linha. Não faz sentido trazer miudezas baratas por esse esquema. Num produto de três dólares, a taxa fixa mais o percentual mais o frete transfronteiriço comem tudo. O Global Selling vive de produtos com preço alto em relação a peso e volume.

Quanto custa o frete

Parte do custo do frete é paga pelo vendedor. O valor final depende de três coisas: da sua reputação, do par origem-destino e da modalidade de logística escolhida. O marketplace tem a sua própria Revenue Calculator. Ela calcula frete e comissões nas condições concretas, e vale usá-la antes da compra.

Como o dinheiro chega

O comprador paga na moeda dele e você recebe dólares. Os saltos do peso e do real não são problema seu. Esse é um dos pontos mais fortes do esquema; o vendedor local na Argentina convive com o câmbio o tempo todo.

O repasse sai por transferência internacional a cada duas semanas para conta bancária ou para Payoneer. O valor mínimo da transferência é de 500 dólares. Se não juntar no período, o dinheiro espera o repasse seguinte.

Para faturamentos pequenos isso significa que o primeiro dinheiro não chega duas semanas depois do início, e sim quando juntar quinhentos dólares.

Quanto custa a armazenagem no depósito Full

No começo a armazenagem é gratuita; depois passa a ser cobrada mensalmente por unidade. Quanto maior o produto, mais rápido cresce a conta.

Tamanho do produtoaté 4 meses4–6 meses6–12 mesesmais de um ano
Pequeno (um tablet)0 $0,77 $2,43 $4,14 $
Médio (uma cafeteira)0 $1,16 $3,75 $5,63 $
Grande (um micro-ondas)0 $1,65 $5,52 $9,16 $
Muito grande ou pesado0 $3,64 $12,08 $25,32 $

Os números são por unidade por mês. O sentido é simples. Não vendeu em seis meses e o depósito começa a te comer. Em produto volumoso isso vira dor rápido.

Divergência nos documentos. O texto no site do Mercado Livre diz que a cobrança pela armazenagem começa depois de 60 dias. Mas na tabela de tarifas os dois primeiros degraus, até dois meses e de dois a quatro, aparecem como zero. Trazemos a tabela, mas antes de embarcar um lote confira as condições no seu painel. No papel o marketplace não bate aqui.

Tirar a mercadoria do depósito de volta também custa. De 8,27 dólares para volume pequeno, até 2 054 para volume acima de 50 m³. O descarte é mais barato, a partir de 38 centavos. Com um lote ruim você não só deixa de vender, ainda paga para tirá-lo de lá.

Um parêntese sobre o México. Ali vale uma cobrança diária de armazenagem, de US$ 0,0006 a US$ 0,0276 por unidade por dia, conforme o tamanho.

O relógio que começa a correr no primeiro dia no depósito

A cobrança pela armazenagem não é tudo. No depósito Full roda um roteiro automático para o estoque parado, e ele começa bem antes da armazenagem paga.

30 dias sem vendas. O produto entra como candidato à promoção de itens parados. A participação ainda é voluntária e se ativa manualmente.
60 dias sem vendas. Produto automaticamente vai para liquidação com desconto forçado. Dá para recusar ou pedir a retirada, mas por padrão o desconto é aplicado por você.
90 dias sem vendas. O marketplace propõe retirar o saldo antes da data-limite; caso contrário ele vai para descarte.

Sete dias antes de qualquer promoção dessas chega um e-mail. A questão é que o depósito não só fica mais caro, ele mesmo começa a vender a sua mercadoria pelo preço dele. Isso precisa entrar na economia unitária desde já.

Há também o outro lado. O produto vende bem e a capacidade alocada acaba. Capacidade extra por um mês se compra direto no painel. Como referência: 18 centavos de dólar por unidade para produto que cabe na bandeja padrão, e 1,3 dólar para itens fora de padrão. Cancelar a compra custa 20% do valor, e a capacidade do mês corrente não se cancela de jeito nenhum.

México. O RFC e a alíquota de 36% por descumprimento

É fácil deixar passar e sai caro. O Mercado Livre lançou a verificação de números fiscais dos vendedores transfronteiriços que operam com o depósito no México. De você se exige RFC, o número fiscal mexicano, comprovado pelo documento CSF, a Constancia de Situación Fiscal. Mais o consentimento assinado do titular do número para que a sua loja o use.

O preço do erro. Não passou na verificação ou informou um e-mail diferente daquele em que a CSF foi emitida, e a alíquota de retenção da loja sobe para 36%. Isso não é comissão do marketplace, é imposto por cima. Por isso, antes de iniciar a verificação, confirme que o RFC vinculado bate e, se preciso, atualize-o no painel sem começar o procedimento.

Dá para atualizar ou enviar o RFC por um link direto, global-selling.mercadolibre.com/kyc. Abre no computador.

O que o painel dá além da vitrine

Tradutor embutido. A conversa com compradores antes e depois da venda, assim como a resolução de disputas, passa por tradução automática entre inglês, espanhol e português. Saber espanhol não é obrigatório — mas é preciso responder rápido; o marketplace recomenda ficar dentro de 24 horas, e a rapidez afeta a reputação.

Reputação do vendedor. O termômetro funciona igual ao dos locais: boa reputação sobe o anúncio nos resultados e dá até 60% de economia no frete. Isso não é cosmético, é dinheiro direto.

Mercado Ads. Publicidade interna com pagamento por clique, com o orçamento alterável a qualquer momento.

Treinamento. O programa tem o seu Learning Center, com cursos e análises — de graça, em inglês.

Por que vale ler o canal chinês mesmo entrando pelos EUA

O Mercado Livre tem uma frente própria para vendedores da China: portal próprio, webinars, histórias de vendedores, análises de categorias, uma «universidade do vendedor», transmissões oficiais e gerentes de conta que falam chinês. Metade das informações concretas deste artigo — o depósito de Dongguan, os percentuais da taxa de importação, as exigências de embalagem, o roteiro para estoque parado — vem exatamente de lá: no painel em inglês simplesmente não existe.

Desde agosto de 2026 o marketplace abriu, para vendedores com depósito no México, Brasil, Chile e Argentina, um programa de acompanhamento à parte: gerente dedicado, vagas em promoções, ampliação mensal de capacidade com índice de qualidade de estoque a partir de 50, análises de resultado e tratamento prioritário de disputas.

A conclusão é simples: os vendedores chineses entram na América Latina de forma organizada, com apoio do próprio marketplace e com uma logística que você, com empresa americana, não terá. É com eles que você vai competir em primeiro lugar — e conhecer as condições deles é útil mesmo que a sua entrada seja outra.

Onde esse esquema quebra

A marca GLOBAL e o imposto no comprador. O ponto mais subestimado. O seu produto aparece marcado como estrangeiro, o comprador vê um prazo maior e entende que no recebimento provavelmente vai pagar imposto. Ao lado está um vendedor local sem marca, com entrega em dois dias e sem cobranças na aduana. Com preços iguais a escolha claramente não é a sua — então a diferença precisa ser superada no preço ou com um produto que os locais simplesmente não têm.

Velocidade de entrega. Sem o Full a encomenda demora, e o prazo de entrega é um dos fatores de ranqueamento. Um vendedor local com estoque no país, em igualdade de condições, vai ficar acima de você.

O Brasil está fechado para logística rápida se você não vem da China. Depósito dentro do país, para vendedores transfronteiriços, só existe no México e no Chile. A única rota rápida para o Brasil passa pelo depósito de Dongguan, e lá só entram empresas da China continental e de Hong Kong.

O RFC mexicano. Se o número fiscal não for confirmado, a alíquota de retenção da loja vai a 36%. É um procedimento à parte, com a CSF e um consentimento assinado, e é mais fácil errar do que parece.

A Argentina está no limbo. As comissões não foram anunciadas, e o preço mínimo do produto é de 13 dólares contra 3 nos demais países. Hoje não dá para montar um plano de negócios para a Argentina pelo Global Selling.

A empresa ainda assim precisa ser aberta e mantida. Uma LLC nos EUA significa declarações anuais, fisco e compliance bancário. Mais barato que a estrutura brasileira, mas não é de graça.

Devoluções. Uma devolução da América Latina de volta aos EUA é uma dor logística e financeira à parte, que quase ninguém coloca na conta no começo.

O limite de repasse. 500 dólares. No começo, com pouco faturamento, o dinheiro fica parado.

Global Selling ou empresa local

Vamos comparar o que importa.

Global SellingEmpresa local
Prazo até o iníciosemanas2–3 meses ou mais
Empresa na América Latinanão é precisoobrigatório
Moeda da receitadólareslocal, com risco cambial
Depósito no paísMéxico e Chile; Brasil só por empresa chinesaqualquer um, inclusive o seu
Como fica para o compradormarca GLOBAL, entrega mais demorada, possível imposto no recebimentoum produto local comum
Prazo de entrega ao compradorlongo sem o Fullcurto
Desembaraçono marketplace ou em você; o imposto quem paga com mais frequência é o compradortotalmente em você; para o comprador não há acréscimos
Obrigações locaisnãosim, permanente
Teto de crescimentolimitado pela logísticanão limitado

O Global Selling serve, se você já tem empresa nos EUA ou em Hong Kong; se já traz mercadoria da China; se precisa testar a demanda antes de investir pesado; se o produto é caro e leve e a logística não come a margem.

Não serve, se o produto é barato e volumoso; se a aposta é o Brasil com entrega rápida; se o mercado principal é Uruguai ou Argentina; se você pretende construir volume, e não testar um nicho.

O que fazer antes de começar

1. Calcule a economia unitária pelas duas vias — pelo Global Selling e por empresa local. A diferença costuma aparecer onde ninguém espera.
2. Confira o seu produto na lista de proibidos do país de destino e nos limites de dimensão das transportadoras.
3. Veja se o seu preço cai na taxa fixa por unidade — se cair, remonte o sortimento.
4. Decida sobre o depósito. Sem o Full você compete no prazo de entrega, e essa é uma posição perdedora contra os locais.
5. Olhe pelos olhos do comprador. Ao lado do seu anúncio com a marca GLOBAL e imposto está um produto local sem cobranças extras. Se não houver como superar isso, nem no preço nem em algo próprio do produto, o esquema não decola.
6. Se você opera pelo Texas, compare o seu preço com o limite de 50 dólares: acima dele o comprador paga de 17 a 19% por cima.
7. Se vai para o México com depósito, resolva antes o RFC e a CSF, senão a alíquota de retenção vira 36%.
8. Coloque o limite de repasse de 500 dólares no seu descasamento de caixa dos primeiros meses.
9. Se a mira é a Argentina, espere o anúncio das comissões ou entre por uma estrutura local.

Perguntas frequentes

É preciso ser cidadão ou residente dos EUA para operar pelo Global Selling?

Não. A exigência é sobre a empresa, não sobre o dono: a empresa precisa estar registrada nos EUA, na China ou em Hong Kong. A nacionalidade e o país de residência do beneficiário não importam. Para a rota americana serão necessários LLC ou Corporation, o número fiscal EIN, um endereço nos EUA, o passaporte do dono e o formulário W-8.

O comprador vê que a mercadoria vem do exterior?

Sim. Os anúncios do Global Selling levam a marca GLOBAL: o comprador entende que a mercadoria é estrangeira, vê o prazo de entrega maior e, em geral, paga imposto de importação no recebimento. Isso afeta bastante a conversão — ao lado, nos resultados, está um vendedor local sem marca, com entrega rápida e sem cobranças na aduana. Essa diferença precisa ser compensada com preço ou com um produto que os locais não têm.

Em que países dá para vender pelo Mercado Livre Global Selling?

O painel geral abre cinco marketplaces: México, Brasil, Chile, Colômbia e Argentina. No canal chinês do programa constam seis países — a esses cinco soma-se o Uruguai, mas só com a modalidade de entrega própria.

Quanto o Mercado Livre cobra de comissão de um vendedor estrangeiro?

A comissão depende do país e da categoria e só é cobrada depois da venda; publicar é gratuito. Para o Brasil o marketplace publica o número direto: 12,5% no anúncio comum e 16,5% no Premium com parcelamento para o comprador. Para México, Chile e Colômbia o percentual depende da categoria e aparece na hora de publicar. Para a Argentina as comissões não estavam anunciadas na data de publicação. Além disso, produtos baratos pagam uma taxa fixa por unidade: 33 MXN no México, 9,6 BRL no Brasil, 1.650 CLP no Chile, 7.200 COP na Colômbia.

Como e quando chega o dinheiro das vendas?

O comprador paga em moeda local, o vendedor recebe dólares. O repasse sai por transferência internacional a cada duas semanas, para conta bancária ou Payoneer. O valor mínimo é de 500 dólares: se no período juntou menos, o repasse fica para a próxima vez.

Em que países o depósito Mercado Envios Full funciona para vendedores estrangeiros?

O depósito dentro do país do comprador está disponível a vendedores transfronteiriços no México e no Chile. No Brasil, na Colômbia e no Uruguai, das modalidades comuns resta apenas a entrega própria por transportadoras parceiras. Além disso, o Mercado Livre tem mais dois depósitos com o mesmo nome Full: o centro de distribuição no Texas, de onde a mercadoria vai sobretudo para o México, e o depósito em Dongguan, na China, que atende os cinco mercados, inclusive o Brasil.

Com empresa chinesa dá para levar mercadoria ao depósito Full no México ou no Chile?

Sim. O país de registro da empresa não limita o acesso ao depósito dentro do país do comprador: empresas americanas, chinesas e de Hong Kong podem igualmente levar um lote para lá. A diferença é outra — empresas da China continental e de Hong Kong têm ainda o CHINA FULL, com o depósito em Dongguan, que funciona para os cinco mercados, inclusive o Brasil, e isso não está disponível para empresa americana. Para o depósito no México será preciso, à parte, um RFC confirmado.

Quem paga o imposto de importação, o vendedor ou o comprador?

Na rota pelo depósito do Texas a taxa de importação é paga pelo comprador e já está incluída no preço de vitrine, sem linha separada no fechamento. O Mercado Livre publica as alíquotas direto: até 50 dólares não há taxa; de 50 a 117 dólares são 17% do preço; acima de 117 dólares, 19%. Tarifas e impostos são calculados sobre o preço de venda, e o marketplace os processa em nome do vendedor.

Quanto custa guardar mercadoria no depósito Full?

Os primeiros meses são gratuitos; depois entra uma cobrança mensal por unidade conforme o tamanho: produto pequeno de US$ 0,77 na faixa de 4 a 6 meses a US$ 4,14 depois de um ano; muito grande ou pesado, de US$ 3,64 a US$ 25,32. Retirar a mercadoria do depósito é pago: de US$ 8,27 para volume pequeno a US$ 2.054 para volume acima de 50 m³. O descarte sai mais barato que a retirada.

É preciso saber espanhol para vender pelo Global Selling?

Não necessariamente. O painel tem um tradutor embutido entre inglês, espanhol e português: ele funciona na conversa com compradores antes e depois da venda e na resolução de disputas. Mas é preciso responder rápido — o marketplace recomenda ficar dentro de 24 horas, e a rapidez da resposta afeta a reputação do vendedor e, por meio dela, a posição dos anúncios.

O que compensa mais, o Global Selling ou abrir empresa na América Latina?

Depende do produto e dos objetivos. O Global Selling começa mais rápido, não exige empresa na região e paga em dólares, mas é limitado pela logística: o depósito dentro do país só está disponível a vendedores transfronteiriços no México e no Chile, e sem ele você perde dos locais no prazo de entrega, que afeta o ranqueamento. Para o Brasil existe um caminho rápido, mas só por empresa da China continental ou de Hong Kong. A empresa local custa mais e demora mais no começo, mas tira o teto de crescimento. Para testar um nicho costuma ser mais sensato o primeiro caminho; para volume, o segundo.

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⭐ A outra metade da comparação. Global Selling contra empresa local é questão de dinheiro, não de comodidade: importar por conta própria tem outro custo, porque parte dos impostos volta como crédito. Dá para calcular as duas opções lado a lado na pacote PRO — calculadora de aduana para seis países e livros sobre importação direta da China.

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